quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ensaio 1 - 20/05/13


Proposta: 




Começamos nos esticando um pouco juntos. Descemos todos em roda, de braços dados, depois subimos de novo e pendemos para dentro, com as mãos encostadas. Acho esse exercício muito bonito estéticamente... E depois? A gente sente. (errei, mas gostei). A gente senta. E se estica mais. Ai que saudade do Alexander. Fazemos um pouco de Alexander, mas fazendo uma brincadeira de percepção do espaço - todo mundo olharia, que nem sempre, o espaço ao redor, renovando o olhar. Depois todos fecharíamos os olhos e um perguntariamos um para o outro detalhes do espaço. (o meu teto tem forma de P, mas ao contrário). Levantamos e fizemos aquela brincadeira do nó. Fomos lembrando à medida que fomos fazendo, então acabamos fazendo de jeitos diferentes. Eu disse que o meu professor tinha feito isso em sala e que foi um analisador muito bom para evidenciar um não-grupo (Na verdade eu não sei, não fui nessa aula, mas me contaram). Só pra constar - da forma que a gente fez, mudando sempre, dialogando sempre um com o outro, ajudando um ao outro... Bem, acho que desde já ficou bem claro que somos/estávamos/estamos sendo um grupo. 
Lucas vem? Nina la?
Começamos.

Pedro, bota a calça.
Me sigam. 

Vamos à vila, na parte mais perto da grade, da rua. 
Eu
(não sei o que escrever. 
Paciência.
(o que eu agora?

Eu
Faço
Samba e S2
Eu
Faço
Sonho
Refaço...
            Tento de tudo
Eu pego
Eu rasgo
Disfarço
Me rasgo toda
Me querendo
            Fazer
Fazendo
Querer
Fazendo você
Me fazer
Querer
            Me
            Querer
            Ver

Querendo ser

Você
(pan)
(brincadeira)

Antes que eu pudesse pensar no depois, ele já se apresentava. 
Ju e Pe estavam já virando as folhas, que tinham fotos de animais atrás. 
Estavam dando sentido e expressividade para essas imagens que apareciam entre as palavras. E fazendo outras palavras. Dobramos, rasgamos, formulamos palavras. Usamos palavras. Violência, rompimento necessário para criarmos outros discursos.
Estávamos nos comunicando também espacial e temporalmente. Nossos movimentos estavam conectados como em um exercício de View Point. Estávamos criando assim também... Me senti dialogando com vocês o tempo todo, sem abrir a boca. 
Conversando sobre o ensaio depois, percebi como é valioso esse "desrespeito" às palavras. Diz um pouco da relação que estabelecemos com a academia, com o criar. Estamos muito acostumados com o movimento de dar forma - às ideias, que devem ser claras, colocadas em palavras, formatadas no papel - e, às vezes, precisamos desestruturar essas formas para extrair delas força. Força essa que permite a composição de outras formas. E etc. 
Fomos, horas a fio, construindo diálogos, ideias, afetos, mil sentidos que mudavam a cada segundo. Em dado momento outra pessoa ia lá e trazia uma nova palavra. (ai, como são importantes as novas palavras...). Lontra. Detesto. A gente. Shh. 

Legenda: A gente faz sonho e vocês?

                                                    "Agora disfaço ontem"

"Sonho"


"Eu queria ser (pedra) Fazendo você me fazer querer me querer ver"



Depois, tentamos escrever o que havia ficado.

"Querendo ver você me ver sério
Eu, Quéris?
Querendo ser (pedras)
Som de paciência
Detesto processo faço.
Eu me rasgo querendo você. 
Queris? Eu faço (pan).
Agora disfaço ontem. 
Querendo ser (coração)
Samba lontra ou nada faço.
Faço brincadeiras. É sério. 
Shhh. Som de elefante.
Vocês me detestam?
Eu e vocês.
Ontem um telefonema. Shhh. Som de elefante.
Não é uma lontra (preso no carro.)
Quererndo ser, escuto?
A gente faz sonho e vocês?
Protesto disfarço fascínora
Faço processo ou nada escuto. "

"Eu escuto som de elefante.
Uma lontra, me sigam.,
Samba sério...
Quéris pan? Eu faço.
Isso não é uma lontra.
Eu (coração) vocês. Brincadeira.
Eu faço lontra. É sério.
Detesto processo. Eu faço. Paciência.
Um telefone (som de elefante)
FAzemos shh. queremos som de elefante.
Detesto você. Paciência. 
Eu sonho. E vocês?
Disfarço uma brincadeira.
Me rasgo toda querendo me fazer lontra.
Eu sonho. É sério?"

" Eu faço a gente fazendo eu.
Eu e vocês é redundante.
Eu queria ser sonho. E vocês?
Eu queria ser uma lontra mas disfarço. 
A gente faz brincadeira sério.
Você?
Eu?
Eu me rasgo toda me querendo fazer brincadeira/sonho. 
Eu queria fazer samba sério. 
Eu queria (coração). 
Me rasgo toda me querendo (coração)."



Um comentário:

  1. Alguma coisa me remeteu a um trabalho que fiz com meus alunos. Eles desenhavam coisas que existem na cidade, e depois tinham que prender os desenhos pela escola, criando uma relação (terapia da associação-livre...) entre os espaços da cidade e os espaços da escola. Se a escola fosse uma cidade, onde seria a praia? o hospital? etc. Alguém pôs um Pão de Açúcar no alto de uma coluna, acima da gente. Outro colocou a delegacia nas grades da janela da secretaria/sala da direção. E por aí vai.

    Vontade de ter vivido esse ensaio. Gostei muito desse poema, essa coisa de re-relacionar as palavras, voltar a elas e criar ligações surpreendentes. Esquecer as palavras e deixar que elas lembrem da gente.

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