quarta-feira, 19 de junho de 2013

Búzios, praia da tartaruga, 12/05/13

O processo começou antes mesmo que eu decidisse olhar pra isso. Acho dificil dizer quando um processo criativo começa - marco temporal que só pode ser criado a posteriori. Agora, atribuo o início desse processo de criação ao sofrimento, à sensação de falta de sentido, à angústia do desejo sem forma. Afinal, frente a esse estado, o que eu pude fazer foi movimento, uma busca por sentido, tentativa de encontro com algum acontecimento, algo que me provocasse uma mobilização subjetiva, uma transformação do meu mundo. Um deslocamento de um caos geral para um caos criativo, composto por atravessamento, rupturas, transversalidade.
A busca por uma existência arrebatadora. Sabia e dizia que me faltava criar - essa experiência de paixão, necessidade e vício, que me dominava o espírito, que aguça a sensibilidade e o diálogo com o mundo e com o outro. 
Teatro é jogo, relação, ação e corpo-presença. Buscamos uma dimensão do fazer teatro que vá até o que ele tem de mais simples para potencializar suas possibilidades de diálogo enquanto linguagem. Entendo a experiência teatral como uma negociação entre um conjunto de formas, estruturas construídas, necessárias construções de verdades, realidades da linguagem, e um campo de forças, potencializadas pelas lacunas que se assumem, que trazem a possibilidade de criação de sentido pelo interlocutor da obra/processo - que pode até ser nós mesmos. (ufa)
Eu faço teatro quando/porque preciso. É uma maneira de me reconstruir, de me surpreender. Fazendo teatro eu abro meus sentidos para outros afetos, meus olhos para outras cores, meus braços para as mesmas pessoas (vocês) e me abro para mais de mim. 
A minha trajetória no teatro me faz entender também - sentido sempre posterior - que o fazer teatro para mim é necessariamente atravessado por quem está comigo. Pra mim é uma experiência coletiva por princípio - teórico e prático. Desde o início, sempre em coletivo, tudo o teatro... Sempre o grupo sujeito, horizontal, fazendo caber e estimulando singularidades, reconfigurando subjetividades. (Arte-porco). O grupo é, por si só, um acontecimento. Um grupo teatral, olha que lindo, é um acontecimento que acontece em torno de outro acontecimento, compartilhado com mais pessoas... 
No fazer de grupo teatral nos colocamos disponíveis à recriação de nós mesmos, do grupo e do que criamos (como se pudessem ser separados). Nos dispomos a romper.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário