quarta-feira, 19 de junho de 2013

Casa da vó, 19/05/13, 00:15

Lendo Grotowski

Pensei em fazer para amanhã um poema concreto na minha vila. Tapete de palavras.
Antes, ir lá fora em silêncio.

Comecei a ler o teatro laboratório do Grotowski, mais especificamente a parte sobre os grupo, e tem muita coisa que ressoa em mim com o projeto... Passei o dia enrolando, dias... Medo de não ter uma ideia. Fugindo delas.. Mas elas me acham em uma leitura noturna. Elas me acham e me dizem pra eu nunca confiar tanto assim nelas. Elas me dizem pra começar a brincar! O que importa é o que acontece depois.
O livro traz um pouco essa ideia, fala do poder da experimentação, de um teatro como veículo, que visa não  a apresentação, o espectador, mas o trabalho do próprio ator. Acho egoísta, mas, por agora, é exatamente isso. Ele vai trazer a cia teatral como o lugar para o ator experimentar, onde deveria poder fazer isso, pelo menos... Para que se possa ter um trabalho de pesquisa a longo prazo.


"Os ensaios não são apenas a preparação para a estréia do 
espetáculo, são para o ator um terreno em que descobrir a si mesmo, 
as suas capacidades, as possibilidades de ultrapassar os próprios limites.
Os ensaios são uma grande aventura, se se trabalha seriamente." (pg. 229)

"Como diretor, eu estava do lado daquilo que estava realmente vivo."

Penso que o trabalho do diretor é que nem o do psicólogo e o do professor... Há perguntas que perpassam esses campos igualmente exigindo uma reflexão mais profunda euma discussão mais complexa. 
Qual a melhor forma de se posicionar? Não... Como se posiciona ao lado daquilo que está realmente vivo? Como intervir?
O fim da intervenção é a alimentação da autonomia? O que significa isso? É esse o objetivo?

Me vem a conversa que eu tive com o Pedro sobre diretor-autoridade. 

Grotowski diz que quando se leva em consideração (demasiadamente) o que se tornou a indústria do espetáculo, as cias somem, cada um trabalha por si - pelo seu reconhecimento, grana etc. 
"É como cortar um bosque sem plantar árvores. Os atores não têm a possibilidade de 
encontrar algo que seja uma descoberta artística e pessoal. Não podem. 
Portanto, para enfrentar, devem explorar o que já sabem fazer e 
o que lhes deu suceso - e isso vai contra a criatividade.
Porque criatividade é antes descobrir o que não se conhece." (pg 227)

Teatro como ritual:
"Quando me refiro ao ritual, falo da sua objetividade;
quer dizer que os elementos da Ação são os instrumentos de trabalho
sobre o corpo, o coração e a cabeça dos atuantes." (pg. 232)

Será que é dar um tiro no pé fazer um espetáculo que fale de si?
Perigo








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